ELA NÃO QUERIA OUVIR QUE ERA LINDA

Os quatro passos da comunicação empática: observação sem julgamento, identificação dos sentimentos, das necessidade e pedido de ação específica, podem ser usados para prestarmos atenção no que os outros estão observando, sentindo, precisando e pedindo.

A nossa empatia se dará na compreensão disso nos outros. Ao nos relacionarmos com as pessoas, a empatia irá ocorrer somente quando conseguirmos nos livrar de todas as ideias preconcebidas e julgamento a respeito deles.

Muitas vezes é frustrante quando precisamos de empatia e a outra pessoa presume que a gente precisa de encorajamento ou de conselhos de como consertar a situação. Quando eu comecei a aprender sobre comunicação não-violenta fui testando as técnicas com os meus familiares, com as pessoas que eu convivia com mais intensidade e que eu tinha mais intimidade.

Nesses treinos minha cunhada me ensinou uma lição importante: checar se meus conselhos e encorajamentos são bem-vindos antes de eu falar. Um dia ela estava de biquíni observando seu próprio corpo e disse: “Nossa eu estou gorda como uma porca”. Eu ao ouvir aquilo, dei uma resposta que é muito comum das pessoas darem ao ouvir alguém, principalmente uma mulher, dizendo que está gorda.  A maioria das pessoas oferece um encorajamento após ouvir esse tipo de coisa e eu ainda não estava tão atenta a ouvir de forma empática as pessoas. Ao ouvir o seu comentário eu respondi: “Imagina, você é linda”. Ela me olhou revirando os olhos, e continuou apertando aquilo que ela chamava de “pneuzinhos”.

Num outro dia, estudando mais sobre a comunicação não-violenta, percebi que ela queria algum tipo de empatia e que eu tinha feito um encorajamento na hora errada, o que gerou resistência.

Pensando o que eu poderia ter feito de diferente, cheguei à conclusão que a minha linguagem teria mais conexão se eu tivesse perguntado: “Você está se sentindo decepcionada com a sua aparência física hoje?”. Isso teria sido muito mais empático do que dizer que ela era linda, porque dizer que ela é linda não soou para ela completamente sincero, por mais que eu sinceramente achasse que ela estava linda.

Marshall B. Rosenberg que descreveu os passos da comunicação não-violenta mostra em seu livro sobre o assunto alguns comportamentos comuns que nos impedem de estar presentes o bastante para nos conectarmos aos outros com empatia, são eles:

  1. Aconselhar: “Acho que você deveria…”, “Porque é que você não fez assim?”
  2. Competir pelo sofrimento: “Isso não é nada; espere até ouvir o que aconteceu comigo”.
  3. Educar: “Isso pode acabar sendo uma experiência muito positiva para você, se você apenas…”
  4. Consolar: “Não foi sua culpa, você fez o melhor que pôde”.
  5. Contar uma história: “Isso me lembra uma ocasião…”
  6. Encerrar o assunto: “Anime-se. Não se sinta tão mal”.
  7. Solidarizar-se: “Oh, coitadinho…”
  8. Interrogar: “Quando foi que isso começou?”
  9. Explicar-se: “Eu teria telefonado, mas…”
  10. Corrigir: “Não foi assim que aconteceu”.

Na comunicação empática não importa se é apenas você que sabe as técnicas, que sabe o passo a passo, basta uma das pessoas usar uma comunicação empática para a conexão acontecer. Não importa que palavras as pessoas usem para se expressar, nós iremos procurar escutar suas observações, sentimentos, necessidades e o que elas estão pedindo.

Todo tipo de crítica, ataque, insulto e julgamento desaparecem quando concentramos nossa atenção em ouvir os sentimentos e necessidades por trás de uma mensagem. Quanto mais praticarmos isso, mais perceberemos que por trás de toda mensagem que nós permitimos que nos intimidem estão simples indivíduos com necessidades insatisfeitas pedindo que contribuamos para seu bem-estar.

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