QUE INTENÇÃO ESTÁ POR TRÁS DO ELOGIO?

Muitos gestores de pessoas usam os elogios e as apreciações como forma de motivação para sua equipe de trabalho, vários pais e professores também utilizam do reforço positivo com essa intenção e ambos alegam que percebem uma melhora no desempenho dos elogiados. No entanto, esse tipo de incentivo como normalmente é feito tem resultados inicialmente positivos, no curto prazo, mas depois de um tempo perde o efeito.

Frase do tipo: “Você fez um bom trabalho com o cliente” ou “Você é um ótimo desenhista” são formas de julgamento, assim como as críticas e, portanto, também causam maus entendidos, mesmo sendo elogios.

O que acontece é que a medida que o ouvinte começa a perceber as intenções por trás do elogio a sua efetividade cai.  Quando as pessoas começam a perceber as intenções por trás dos elogios o efeito acaba por ser o contrário do desejado, gera mais resistência do que produtividade.

Marshall B. Rosenberg descreve 3 formas de se fazer uma apreciação usando a comunicação não-violenta:

#1 As ações que contribuíram para nosso bem-estar: Podemos expressar como uma ação específica da outra pessoa contribuiu para que nós nos sentíssemos bem, por exemplo, “Obrigada, me sinto aliviada porque o relatório que você me entregou estava com todas as informações que eu precisava para o meu trabalho”.

#2 As necessidades específicas que foram atendidas: Utilizando o mesmo exemplo, podemos especificar qual necessidade nossa que foi atendida, assim a pessoa consegue entender como pode agir em outras situações para que também atenda a essas necessidades, por exemplo, “Obrigada, me sinto aliviada porque com o relatório que você me entregou eu consegui fazer uma apresentação que agradou o nosso cliente”.

#3 Os sentimentos agradáveis gerados pelo atendimento dessas necessidades: Naturalmente nosso cérebro tem impulsos de reciprocidade, com isso ficamos feliz em ver o bem-estar das pessoas e normalmente quando esse bem-estar foi causado por uma ação nossa nos sentimos bem. Expressar como nos sentimos bem após ter nossas necessidades atendidas gera mais empatia para as pessoas do que quando a elogiamos. Nesse exemplo que usamos é o sentimento de alívio.

A sequência dessas três formas de comunicar uma apreciação pode variar e às vezes elas podem ser expressas as três pela linguagem corporal de um sorriso, por exemplo. Porém se queremos ter certeza de que nossa comunicação chegou completamente do jeito que queríamos convém utilizar a expressão verbal junto com a corporal.

Essa mesma situação expressa de forma a fazer julgamentos e criando o risco de ser mau interpretada e gerar resistências seria: “Você fez um bom trabalho com esse relatório”. Esse tipo de elogio não agrega muita coisa para o ouvinte, ele continua sem saber o que foi que você apreciou no relatório e deixa margem para a pessoa interpretar o que ela quiser, por exemplo pode ouvir esse elogio e entender que fez um bom trabalho porque entregou o relatório antecipadamente, ou porque escreveu com outro tipo de letra, etc.